A lição do boi.




"Porteira que passa um boi, passa uma boiada", certamente você já ouviu e talvez até já disse este antigo ditado popular. Gosto da sabedoria simples, clara, objetiva. Pra entender a lógica deste ditado não se requer estudo, filosofia, academicismo, é necessário apenas sensibilidade. Sua lição aplica-se as mais variadas situações, de tão bom e prático que é no seu ensino.

Exemplos. Nunca traia seu cônjuge, se o fizer a primeira vez, acredite, a porteira estará aberta e as traições continuarão. Não peça nota adulterada no posto de gasolina para colocar nos relatórios da empresa que trabalha, se o fizer a primeira vez, as notas mentirosas não vão parar. Não minta e engane seus pais, se o fizer a primeira vez... Enfim, porteira que passa um boi, passa uma boiada.

Existe uma outra lição. Por uma porteira aberta passa uma boiada, mas não passa de uma vez. Não cabe uma boiada passando no mesmo minuto, leva tempo até que toda boiada passe. O problema será sempre a porteira que foi aberta, a boiada vem com toda força, tornando praticamente impossível que você consiga ou tenha forças para fechá-la e conter a força descomunal da boiada, ou seja, uma vez aberta a porteira, já era.

Conquanto as dúvidas e todas as teorias da conspiração, numa coisa todos concordam, inclusive a China, o vírus se formou lá, e de lá se espalhou para o mundo. E por que? A porteira foi aberta. Quando o caso se tornou arriscadíssimo e grave, a China até tentou conter a fúria da "boiada", mas já era tarde, muito tarde.

Como a China ajudaria o mundo? Mantendo a "porteira" que liberaria o vírus fechada, através de uma rigorosa vigilância sanitária e proibição taxativa de hábitos alimentares comprovadamente danosos e mortais pra qualquer ser humano, algo que não dá pra reduzir a explicações meramente simplistas e que atendem ao politicamente correto, como "é a cultura deles, tem que respeitar", menos, há limites e prioridades. E a vida é prioridade para todos. Todos.

Em 11 de fevereiro de 1979, um funcionário da Electronic Data Systems Corporation, um iraniano, mentoriou e liderou uma rebelião num presídio de Ghasr, no Teerã, com um só objetivo: resgatar dois colegas seus. O problema é que ele abriu a "porteira" visando apenas dois homens, mas naquele dia outros 11 mil prisioneiros se aproveitaram do momento e protagonizaram a maior fuga da história. Mais uma vez a força da boiada foi impossível de se conter.

Da mesma forma funciona o pecado em nós. Começa pequeno, aparentemente inofensivo e controlável. Pais, mestres, pastores, amigos verdadeiros, todos ali orientando pra resistir e manter a porteira fechada. Mas não, o irresistível canto da sereia fica ali, sedutoramente sussurrando, abre, abre, abre a porteira da obediência, da pureza, da submissão aos mandamentos do Senhor, abre só uma vez, experimenta, abre... é então que a porteira é aberta e... bummm! O estouro da boiada acontece e pessoas que pensávamos conhecer, tornam-se irreconhecíveis nos seus comportamentos, palavras e escolhas.

Volte para o simples, para o amor, para a graça que somente Cristo oferece através de um dos mais belos convites que todos nós podemos receber: "Vinde a mim todos vós que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração!". E quer saber o melhor? Mesmo em isolamento social, para ir até Cristo bastam joelhos dobrados, corações contritos, arrependidos e sinceridade de alma. Em outras palavras, aproveite este tempo no qual os limites da casa são a realidade de muitos, repense a vida, feche com chave a porteira que deixou porventura aberta, então coloque a chave nas mãos de Deus, Ele te dará estratégias para que nunca mais seja aberta. Paz!


Edmilson Mendes

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