Existe algo pior que o ódio?



Ódio é uma aversão absoluta por algo ou alguém. Simplesmente não tem negociação, diálogo é impossível, acordo é uma possibilidade impensável. Isso é ódio. Ruim demais, destruidor eficaz de relacionamentos, fulminante no que diz respeito a saúde emocional daqueles que são atingidos e contagiados por ele. Ódio, é insano, é animal, é assustador.

De tão valorizado nesses tempos, subiu de status, agora tem até discurso. Quando alguém fala palavras que não gostamos, concordamos ou aprovamos, logo rotulamos que o que se disse foi um asqueroso discurso de ódio. Assim mesmo, chamamos de discurso aquelas palavras para as quais dirigimos expressões do tipo “ai, que ódio!”.

A palavra existe. O sentimento existe. Seu significado é real. Porém os manipuladores de palavras são espertos demais. Usurparam muitas palavras do contexto no qual viviam, dentre elas a palavra ódio foi sacanamente sequestrada. Pela facilidade de compreensão que ela carrega em si, pela carga explosiva contida nela, se tornou uma arma poderosa nas guerras de narrativas atuais. Se você conseguir fazer grudar na imagem dos seus adversários que eles têm ódio no que fazem e no que falam, bingo!, você estará muito próximo de destruir reputações, biografias, relacionamentos.

Falar que o ódio está no outro, defender que sua bandeira é a da paz e do amor, fazer tudo espertamente para o ódio cair no colo dos adversários. É o que temos assistido diariamente entre adversários políticos, econômicos, culturais, religiosos. Dedos raivosos são apontados para os outros, acusando-os de ódio, enquanto o outro aponta o dedo de volta, asseverando que o ódio está nos acusadores. Assim estamos caminhando socialmente, com muito ódio, infelizmente.

Existe algo pior que o ódio. Sim, lamentavelmente existe. A Bíblia na Linguagem de Hoje, em Provérbios 27:4 fala o que é, “O ódio é cruel e destruidor, mas a inveja é pior ainda.” A inveja? E por que? Porque diferentemente do ódio, que é um escândalo pra quem quiser ver, a inveja é muito bem camuflada, alimentada, sufocada nos porões da alma, aquele lugar que ninguém vê.

Heródoto afirmava que “a inveja nasceu com o homem desde o princípio”. Napoleão Bonaparte dizia que “a inveja é uma declaração de inferioridade”. Tomás de Aquino, em suas reflexões espirituais, foi altamente sincero ao admitir que “a inveja é uma tristeza pela glória do outro”. Na mesma linha de Tomás de Aquino, foi Cícero, quando escreveu que “a inveja é a amargura que se sofre por causa da felicidade alheia”. Margaret Thatcher, a dama de ferro, foi bem direta, “o espírito de inveja pode destruir; ele nunca pode construir”. E, por último, um conselho, de Sêneca, “evitamos a inveja se guardarmos as alegrias para nós próprios.”

Existe um antídoto? Sim. E ele aparece logo no versículo seguinte do mesmo capítulo 27 de Provérbios, o de número 5: “É melhor a crítica franca do que o amor sem franqueza.” Ou seja, transparência, honestidade, verdade, é neste caldo que todo sentimento de inveja precisa ser mergulhado. Somente falar que tem amor, e não agir e nem confrontar, simplesmente não resolve, é preciso uma crítica franca, seja para o outro, seja para nós, enfim, uma franca e honesta autocrítica.

Ódio é bem ruim. Mas inveja consegue ser ainda pior. Uma vez que é um mal que praticamente ninguém admite que tem. Confesse. Admita. Saia fora dos esquemas destruidores da inveja. Abra caminho em seu interior para a plena atuação do Espírito, o Único que pode limpar, restaurar e curar. Invista suas melhores energias para coisas boas, para o bem do próximo, para a sanidade da sua alma. E então espere nEle, afinal, existe um bocado de bênçãos para você também.

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